Entendi que precisava de um lugar além da minha caixola para guardar

bem dobradinhos alguns contos,

alguns causos outros fatos e memórias...

Numa caixa não cabia, é preciso muito papel.

Então aqui esta bom...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Banho de Pipoca doce (terceira estória)

Ah, a Bahia!! 
Vocês já vieram à Bahia? Já nadaram no Porto da Barra? Já sentiram a energia negra do Pelourinho? Já visitaram a Casa de Jorge Amado? Já foram aos bares boêmios do Rio Vermelho? Já tomaram o sorvete da Ribeira? (...)
Márcia chegou no meio de uma guerra de mamonas. Vinha de São Paulo, branca como só a falta de sol daquela garoa paulistana poderia fazê-la. Era prima de segundo grau, tenho tantas...
Fomos receptivos, a convidamos para entrar na guerra. Ficou do meu lado, admito, era o lado mais fraco, mas lutávamos como guerreiros. Os outros eram mais velhos, logo, mais fortes... Dividimos 5 contra 5. Era segunda-feira, a ultima do mês de janeiro. Terceiro dia de festa no largo. Mas nós não ligávamos para todo aquele movimento.
Perdemos. Márcia, pobre forasteira, saiu com o olho roxo de uma mamona que acertaram em cheio em sua cara rosada. Pobre Márcia.
Para distraí-la levamos a novata pra o largo. Foi um encantamento. Não víamos nada de mais. Mas a Márcia, ah, a Márcia via um mundo mágico. Toneladas de pipoca por todo o chão. E as pessoas se banhavam nela, e fechavam os olhos enquanto as baianas faziam jorrar pipoca de seus balaios.
- Só falta o guaraná pra festa ser completa.
Rimos, ela não sabia o que estava dizendo. Na verdade, nós também já tivemos nossos momentos de devanear com tanta pipoca... Mas já havia passado. Mesmo assim uma idéia surgiu. Caminhamos sorrateiros até um balaio cheio. Márcia olhou ao redor, Luis e André ficavam de tocaia, eu e Ângela pegamos o balaio e partimos picadas por trás da igreja.
Luis - A gente vai comer?
Márcia – E não?
André – Mas, é pipoca do santo...
Márcia – Agora é nossa!
Nos entreolhamos, é claro que ela não entendia. Nós também não entendíamos. O balaio estava lá, ao nosso alcance. Era um sonho de muito tempo que se realizava. Nunca vimos tanta pipoca.
Márcia – Vou pedir o Guaraná ao meu pai...
Era isso, arriscamos...
A dor de barriga que veio depois até que poderia ter sido algum castigo do orixá, mas desconfio que tenha sido mesmo causado pelo chocolate que acrescentamos à pipoca... Foi um banho de pipoca doce...


(E acabou-se o que era doce)

3 comentários:

Valter disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkk.. já pensou? Eu bem que queria participar do roubo do balaio de pipoca. mas obaluaiê não ia gostar. rsss

Mais um imundo no mundo impuro. disse...

Me lembrei de um filme que assisti uma vez na sessão da tarde em que a casa ficava cheia de pipoca, era pipoca por todos os lados que dava pra nadar tranquilamente, muito bom!

Abraços!

Sylvio de Alencar. disse...

Paulistano quando sai de casa..., é um aperreio só!

Abrçs.